Todos os dias…

 

ANTÔNIO PARREIRAS
Zumbi, 1927.
Óleo sobre tela.
Com o trabalho nas mãos.
Todos os dias são de luta.
“Capoeira resistência ancestral”

 

 

 

Anúncios

Mestres e Capoeiras do Brasil: uni-vos em luto a Moa do Catendê

“Moa ponderou que era negro e que o cara ainda era muito jovem e não sabia nada da história. Moa disse ainda que ele tinha consciência do quanto o negro lutou para chegar onde chegou e o quanto Bolsonaro poderia tirar essas conquistas se chegasse ao poder“. (Reginaldo Rosário, irmão de Moa)

A polarização social das eleições tem causado muitas brigas nas redes sociais, nos grupos de amigos e família. Uma eventual descontração no bar gerou um grande conflitou que levou à morte do Mestre capoeirista. Ele estava com seu irmão que, ao tentar separar, também foi atingido com um golpe de faca no braço direito, mas foi socorrido e permanece internado e sedado.

Mestre Moa do Katendê foi assassinado com 12 facadas na noite em que se encerrou o primeiro turno das eleições no Brasil, em 7 de outubro de 2018. Ele e o seu irmão foram esfaqueados em um bar no Dique Pequeno em Salvador, bairro em que residia, após discussão sobre política. Segundo os relatos, um morador novo do bairro, defensor do Bolsonaro não teria gostado da posição contrária do mestre, foi até sua casa e buscou uma faca. Katendê foi agredido e seu irmão que o acudiu também, mas Moa não sobreviveu. O irmão Germínio do Amor Divino, 51, recebeu uma facada no braço direito e foi socorrido para o Hospital Geral do Estado (HGE). Na ocorrência do posto policial do HGE, testemunhas identificaram o autor das facadas como Paulo Sérgio Ferreira, que está preso. Segundo o irmão das vítimas, Reginaldo Rosário, 68, Moa estava bebendo com ele e Germínio, no Bar do João, quando o autor da facada começou a defender ideias do candidato do PSL e ouviu críticas do capoeirista. “Moa ponderou que era negro e que o cara ainda era muito jovem e não sabia nada da história. Moa disse ainda que ele tinha consciência do quanto o negro lutou para chegar onde chegou e o quanto Bolsonaro poderia tirar essas conquistas se chegasse ao poder, disse Reginaldo. Ainda de acordo com o irmão das vítimas, após a discussão acalorada um dos irmãos pediu que Moa ficasse calmo; no entanto, após a situação ter sido contornada, o autor da facada teria ido em casa, retornou com uma peixeira e atacou a vítima nas costas. “Foi tudo muito rápido”, disse. “Moa, que sempre foi defensor das classes menos favorecidas, é mestre tradicional da Capoeira Angola da Bahia e do Afoxé (um dos fundadores dos Filhos de Gandhi) e uma das melhores pessoas que já conheci. A Capoeira perde um grande mestre e eu perco vários amigos”. Digo “vários” porque ver um capoeirista apoiar um político declaradamente racista, pra mim, é pior que cair de cara no chão após uma rasteira alta. É preciso entender a história da arte. É preciso saber que pouco mudou e que, agora, o racismo saiu do armário e não tem vergonha de destilar o seu ódio. Por trás de interesses escusos, aí está a Casa Grande Senzala se armando novamente. Que a morte do mestre não seja em vão! Vamos fazer o berimbau dizer a que viemos.

À luta! E viva “seu” Moa, agora mártir da nossa batalha.

Breve histórico

Môa do Katendê nasceu em Salvador (BA) e é um artista ligado às tradições afro-baianas. Compositor, dançarino, capoeirista, ogã-percussionista, artesão e educador, descobriu suas raízes aos oito anos de idade no “ILÊ AXÉ OMIN BAIN”, terreiro de sua tia e incentivadora. Em 1977, consagrou-se campeão do Festival da Canção Ilê Aiyê, o primeiro bloco afro do Brasil, e em Maio de 1978 fundou o “Afoxé “Badauê”, que desfilou pela primeira vez no ano seguinte e tornou-se campeão do carnaval na categoria de afoxé. Em 1995 com a união de colegas e admiradores da cultura afro-brasileira, surge o grupo de afoxé “Amigos de Katendê”. Foi membro da Associação Brasileira de Capoeira Angola, discípulo de mestre Bobó de Pastinha.

Coletivo feminino para tocar berimbau…tem que ter berimbau.

E as minas foram para cima… construir o seu próprio berimbau com as suas escolhas, com o seu axé e no seu tempo.

Tempo que a gente cria para desfrutar mais da vida, da música, do construir e das amizades. Agora, tempo gingado na cadência do berimbau.

Agradecendo especialmente ao Prof Tuca e Isla, da Casa de Zungu Capoeira Angola, pelo tempo de ensinar e compartilhar.

Berimbau mulher resistência ancestral.

Professora Diva Guimarães fala das raízes de um Brasil profundo

A professora Diva Guimarães, negra e pobre, proporcionou um dos momentos mais emocionantes da história da Flip, a Festa Literária de Paraty, nesta sexta-feira (28). Numa das mesas, onde participava o ator e escritor Lázaro Ramos, Diva pediu o microfone e contou a sua narrativa de vida. Em várias passagens de sua história, os presentes (maioria branca), incluindo, palestrantes foram às lágrimas.

A professora falou sobre situações de preconceitos que enfrentou ao longo da vida por ser pobre e negra.

Assista ao vídeo: https://www.facebook.com/flip.paraty/videos/1430453270341189/

Nesse país onde o preconceito existe e é fortíssimo e se mantém velado, nas empresas, nas escolas, nas casas, nas pessoas e em todo lugar – só não vê quem não quer. Abra os olhos! Nós do CEACA (em sua raiz) somos capoeiristas, a capoeira da liberdade, a capoeira criada por Ogum, o orixá da guerra, nunca devemos esquecer ou negar essa origem. Temos o dever de não “embranquecer” ou deixar que “embranqueçam” a história da capoeira e consequentemente do povo negro. Não podemos esquecer e nem negar as lutas que nossos mais velhos travaram e travam até hoje para resistir ao preconceito, à discriminação e à segregação social. Salve Dona Diva! Salve o povo negro! Salve o povo indígena! Salve o povo das favelas e das periferias! Salve às minorias!

Resistência sempre!!! Axé e capoeira neles!!! (Professor Rodrigo Pança)

CEACA : Resistência Ancestral

ceaca

Memória do Ceaca

Alcides.usp

Mestre Alcides de Lima jogando Capoeira

Ceaca-crusp2000

Grupo CEACA de capoeira, Crusp-USP, 2008.

Clique no link para assistir: História do CEACA

Vídeo produzido pelo CEACA em 2010, mostra um pouco da história de resistência e luta para a permanência da capoeira.

É muita história para contar…

 

Batizado 2016.

 

Para não esquecer…

Daquilo que vi:

Triscado no arame

Batido no topo da cabeça

Tomado pelo hálito

Incorporado pela poeira.

#capoeiraresisteciaancestral

E dá-lhe coco…

CONAN2016 AMORIM LIMA;CEACA 096

Mestre Durval do Coco

Assista o vídeo, clique no link Mestre Durval do Coco

Mestre Durval do Coco ensina como se tira coco ligeiro na escola EMEF Des Amorim Lima, com o CEACA.

É muito axé !!!