BATIZADO DE CAPOEIRA DO PONTO DE CULTURA CEACA/AMORIM

“Há duas forças no mundo: uma é a espada e a outra é a caneta. Mas há uma terceira força, mais poderosa ainda do que as anteriores: a das mulheres” [MalalaYousafzai]

 

Mestre Coordenador: Alcides de Lima Tserewaptu

Mestres: Dorival dos Santos e Durval do Coco

Equipe: CM Lagarto, Professores: Rodrigo Pança, Valter, Instrutores: Felipe, Katiane, Marcela, Lucas, Guilherme, Nicolas, Yara e Giovani.

No dia 9 de Dezembro de 2018 aconteceu um dos eventos mais esperados na região do Butantã: o XVIII BATIZADO DE CAPOEIRA DO PONTO DE CULTURA – AMORIM RIMA\CEACA (54º Batizado geral) e troca de cordões das crianças e jovens que estudam na Escola Desembargador Amorim Lima.

Endereço: Rua Vicente Peixoto, 50, Vila Indiana (ao lado da Praça Elis Regina).

 

Anúncios

Mestres e Capoeiras do Brasil: uni-vos em luto a Moa do Catendê

“Moa ponderou que era negro e que o cara ainda era muito jovem e não sabia nada da história. Moa disse ainda que ele tinha consciência do quanto o negro lutou para chegar onde chegou e o quanto Bolsonaro poderia tirar essas conquistas se chegasse ao poder“. (Reginaldo Rosário, irmão de Moa)

A polarização social das eleições tem causado muitas brigas nas redes sociais, nos grupos de amigos e família. Uma eventual descontração no bar gerou um grande conflitou que levou à morte do Mestre capoeirista. Ele estava com seu irmão que, ao tentar separar, também foi atingido com um golpe de faca no braço direito, mas foi socorrido e permanece internado e sedado.

Mestre Moa do Katendê foi assassinado com 12 facadas na noite em que se encerrou o primeiro turno das eleições no Brasil, em 7 de outubro de 2018. Ele e o seu irmão foram esfaqueados em um bar no Dique Pequeno em Salvador, bairro em que residia, após discussão sobre política. Segundo os relatos, um morador novo do bairro, defensor do Bolsonaro não teria gostado da posição contrária do mestre, foi até sua casa e buscou uma faca. Katendê foi agredido e seu irmão que o acudiu também, mas Moa não sobreviveu. O irmão Germínio do Amor Divino, 51, recebeu uma facada no braço direito e foi socorrido para o Hospital Geral do Estado (HGE). Na ocorrência do posto policial do HGE, testemunhas identificaram o autor das facadas como Paulo Sérgio Ferreira, que está preso. Segundo o irmão das vítimas, Reginaldo Rosário, 68, Moa estava bebendo com ele e Germínio, no Bar do João, quando o autor da facada começou a defender ideias do candidato do PSL e ouviu críticas do capoeirista. “Moa ponderou que era negro e que o cara ainda era muito jovem e não sabia nada da história. Moa disse ainda que ele tinha consciência do quanto o negro lutou para chegar onde chegou e o quanto Bolsonaro poderia tirar essas conquistas se chegasse ao poder, disse Reginaldo. Ainda de acordo com o irmão das vítimas, após a discussão acalorada um dos irmãos pediu que Moa ficasse calmo; no entanto, após a situação ter sido contornada, o autor da facada teria ido em casa, retornou com uma peixeira e atacou a vítima nas costas. “Foi tudo muito rápido”, disse. “Moa, que sempre foi defensor das classes menos favorecidas, é mestre tradicional da Capoeira Angola da Bahia e do Afoxé (um dos fundadores dos Filhos de Gandhi) e uma das melhores pessoas que já conheci. A Capoeira perde um grande mestre e eu perco vários amigos”. Digo “vários” porque ver um capoeirista apoiar um político declaradamente racista, pra mim, é pior que cair de cara no chão após uma rasteira alta. É preciso entender a história da arte. É preciso saber que pouco mudou e que, agora, o racismo saiu do armário e não tem vergonha de destilar o seu ódio. Por trás de interesses escusos, aí está a Casa Grande Senzala se armando novamente. Que a morte do mestre não seja em vão! Vamos fazer o berimbau dizer a que viemos.

À luta! E viva “seu” Moa, agora mártir da nossa batalha.

Breve histórico

Môa do Katendê nasceu em Salvador (BA) e é um artista ligado às tradições afro-baianas. Compositor, dançarino, capoeirista, ogã-percussionista, artesão e educador, descobriu suas raízes aos oito anos de idade no “ILÊ AXÉ OMIN BAIN”, terreiro de sua tia e incentivadora. Em 1977, consagrou-se campeão do Festival da Canção Ilê Aiyê, o primeiro bloco afro do Brasil, e em Maio de 1978 fundou o “Afoxé “Badauê”, que desfilou pela primeira vez no ano seguinte e tornou-se campeão do carnaval na categoria de afoxé. Em 1995 com a união de colegas e admiradores da cultura afro-brasileira, surge o grupo de afoxé “Amigos de Katendê”. Foi membro da Associação Brasileira de Capoeira Angola, discípulo de mestre Bobó de Pastinha.

Memórias Fórum Mundial Educação 2004

O Fórum Mundial de Educação, na mesma perspectiva do Fórum Social Mundial, sustenta-se em dois pilares básicos: a construção de uma alternativa ao projeto neoliberal e o pluralismo de ideias, métodos e concepções.

É um espaço plural, não confessional, não-governamental e não partidário, auto-gestionado, verdadeiramente mundial.
São Paulo celebrou 450 anos em 2004 com um grande Fórum Mundial da Educação Temático, de 1 a 4 de abril, no Anhembi, com o tema: “Educação cidadã para uma cidade educadora”, convergindo para a terceira edição do FME de Porto Alegre, de 28 a 31 de julho de 2004, com o tema: “A educação para um outro mundo possível: construindo uma plataforma de lutas”. 2004 foi um ano importante na luta pelo direito à educação.

CEACA participação no Fórum Mundial de Educação de São Paulo

Veja imagens do evento, ocorrido no Sambódromo do Anhembi, 03/04/2004.

 

Encontro de formação docente

São Paulo, 19 de janeiro de 2018.

A APEP (Associação de Professores das escolas públicas e sem fins lucrativos) convida detentores do conhecimento tradicional para compartilhar perspectivas diferentes de difundir conhecimento.

Mestre Alcides de Lima e os babalorixás Daniel Oguntobi e Patrício Araújo palestram sobre os valores civilizatórios afro-brasileiros no processo educativo, numa perspectiva histórica brasileira forjada na resistência, revisando os processos pedagógicos e de transmissão de conhecimentos, mesmos os tradicionais, na busca da minimização das diferenças entre as relações de poder dentro do processo educativo.

Capoeira resistência ancestral.

Espaços de educação não formais: com a palavra Mestre Alcides

Instituto de Física organiza o 15º Encontro USP Escola

De: 15 a 19 de janeiro de 2018, das 8 às 17 horas.

Encontro USP – ESCOLA é um programa que oferece gratuitamente cursos de atualização para professores de diversas disciplinas do ensino fundamental e médio. Apresenta temas e abordagens diversificadas, procurando responder a demandas atuais da escola básica. O aprendizado é intensificado pela troca entre as vivências e práticas educacionais de professores e as diferentes propostas desenvolvidas na USP.

O 15º Encontro USP-ESCOLA ocorrerá no período de 15 a 19 de janeiro.

Amanhã, dia 19, às 9:30, Mestre Alcides de Lima falará sobre os espaços de educação não formais.

20.1.18_educ.nao.formal

53o. Batizado Ceaca / 17o. Amorim Lima: Memórias

“Para cuidar de uma criança, é necessário uma tribo toda” (provérbio africano)
 No dia 10 de Dezembro de 2017 aconteceu o tradicional batizado e troca de cordões de Capoeira, que teve início às 10 horas, na Escola Municipal Desembargador Amorim Lima – Local: Rua Vicente Peixoto, 50 – Vila Indiana – Butantã
Mestre Coordenador Alcides de Lima “Tserewaptu” conduziu os trabalhos de entrega dos cordões, teve roda de capoeira, além da participação de vários convidados, mestres, contra-mestres, professores, pesquisadores, pais e alunos… Na ocasião, Mestre Deputado (Brasília) rendeu bela homenagem à Capoeira e aos grandes mestres da Capoeira do Brasil.
Saiba mais, acessando o audiovisual no youtube: https://youtu.be/-rj2c68xyCc

Eu e minha ancestralidade: o encontro de saberes

Novo texto publicado na Revista Observatório Itaú Cultural descreve a trajetória do Mestre Alcides de Lima Tserewaptu, em sua vida pessoal e em sua relação com a ancestralidade iniciada no Catupé Cacundê, em continuidade com a capoeira. Fala também da transmissão desses saberes por meio da tradição oral e do diálogo com a educação formal. Essas práticas fortalecem a continuação da ancestralidade ao formar cidadãos capazes de multiplicá-las, fator hoje em dia muito importante para a preservação da nossa cultura. Em defesa da memória e cultura de seu povo, diz o Mestre:

A ancestralidade não é desvinculada do corpo; aliás, este é um elemento muito importante para expressá-la. Podemos, então, considerar que o corpo também é o lugar dela, sendo o principal instrumento de resistência das práticas de tradições orais. Consideramos a possibilidade de levar na memória e em nosso próprio corpo determinado inventário e de tornar a prática como presença, como certa matriz a continuar a tradição.

Por meio da cultura ele realiza dois movimentos em busca dessas ancestralidades: participa de pesquisas para colher relatos e material sobre o Jongo em diversos estados brasileiros e, desde 2000, ensina capoeira e cultura afro-brasileira no Amorim Lima, escola municipal, situada no Butantã (São Paulo), com base em projeto desenvolvido ao longo de várias décadas trabalhando com os valores da “ancestralidade” e da “tradição oral” ; a escola adotou projeto pedagógico inspirado em uma metodologia criada em escolas portuguesas, como a Escola da Ponte. Essa metodologia integra atividades em espaços sem paredes, sem regência de aulas por disciplina específica e com a participação ativa dos estudantes mais avançados em auxílio aos iniciantes. O trabalho do mestre aproxima-se daquele realizado por etnólogos, uma vez que, ao encontrar grupos resilientes, ele registra e insere esses conhecimentos no trabalho feito sobre a cultura e as religiosidades africanas, e ensina a jovens e crianças o valor ético e moral dessa cultura que, pelo jogo, fortalece corpo e mente em oposição ao racismo e em defesa da solidariedade e do amor pela arte que liberta.

Leia o Artigo na íntegra, clicando no link ou na imagem:

ALCIDES DE LIMA TSEREWAPTU. Eu e minha ancestralidade: o encontro de saberes. In: Revista Observatório Itaú Cultural, n. 22 (maio/nov. 2017). São Paulo: Itaú Cultural, 2017, p. 153-163.

Revista Observatório Itaú Cultural, n. 22 (maio/nov. 2017)