Memória & Audiovisual: “Vadiação”, 1954

Vadiação é um curta-metragem produzido em 1954 pelo cineasta Alexandre Robatto Filho, considerado o pioneiro do cinema baiano. O vídeo, com cerca de 8 minutos, apresenta uma bela vadiação em Salvador, com alguns dos grandes capoeiras e mestres da Bahia da época: Mestres Bimba e Waldemar, Traíra, Caiçara, Curió, Crispim (filho de Bimba), Nagé, entre outros. O filme contou com a colaboração de Paulo Jatobá, Manoel Ribeiro, Silvio Robatto e do artista plástico argentino Carybé, que retratou em sua obra importantes manifestações tradicionais da Bahia, como a capoeira, o candomblé e o samba de roda. Valioso documento para a memória da capoeira e simplesmente um marco na história do cinema brasileiro envolvendo a capoeira.

Assista ao vídeo. Nele verá alguns capoeiristas renomados que tocam berimbaus e pandeiros e cantam, enquanto outros se revezam no jogo da capoeira, assistidos por várias pessoas.

 

Grandes mestres da capoeira baiana.

 

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Percepções da diferença: negros e brancos na escola

A coleção Percepções da diferença: negros e brancos na escola é destinada a professores da educação infantil e do ensino fundamental. Seu intuito é discutir de maneira direta e com profundidade alguns temas que constituem verdadeiros dilemas para professores diante das discriminações sofridas por crianças negras de diferentes idades em seu cotidiano nas escolas.
Diferenciar é uma característica de todos os animais. Também é uma característica humana muito forte e muito importante entre as crianças, mesmo quando são bem pequenas, na idade em que frequentam creches e pré-escolas e começam a conviver com outras observando que não são todas iguais.

Mas como lidar com o exercício humano de diferenciar sem que ele se torne discriminatório? O que fazer quando as crianças se dão conta da diferença entre a cor e a textura dos cabelos, os traços dos rostos, a cor da pele? Como evitar que esse processo se transforme em algo negativo e excludente? Como sugerir que as crianças brinquem com as diferenças no lugar de brigarem em função delas?
Os 10 volumes que compõem a coleção Percepções da diferença chamam a atenção para momentos em que a diferenciação ocorre, quando se torna discriminatória, e sugerem formas para lidar com esses atos de modo a colaborar para que a autoestima e o respeito entre crianças sejam construídos.

Os autores discutem conceitos e questionam preconceitos. Fazem sugestões de como explorar as diferenças de maneira positiva, por meio de brincadeiras e histórias, e de leituras que possam auxiliá-los a aprofundar a reflexão sobre os temas, caso desejem fazê-lo. Para compor a coleção, o NEINB-USP (Núcleo de Apoio à Pesquisas em Estudos Interdisciplinares sobre o Negro Brasileiro) convidou especialistas e educadores de diferentes áreas. Cada volume reflete o ponto de vista do autor ou da autora de modo a assegurar a diversidade de pensamentos e abordagens sobre os assuntos tratados.

 

Clique no link para baixar as obras gratuitamente:

  • Percepções da diferença – Volume 1 – Neste volume são discutidos aspectos teóricos gerais sobre a forma como percebemos o outro. Para além de todas as diretrizes pedagógicas, lidar com as diferenças implica uma predisposição interna para repensarmos nossos valores e possíveis preconceitos. Implica o desejo de refletir sobre a especificidade das relações entre brancos e negros e sobre as dificuldades que podem marcar essa aproximação. Por isso é importante saber como, ao longo da história, construiu-se a ideologia de que ser diferente pode ser igual a ser inferior.
  • Maternagem. Quando o bebê pede coloVolume 2 – Este volume discute o conceito de maternagem e mostra sua importância para a construção da identidade positiva dos bebês e das crianças negras. Esse processo, iniciado na família, continua na escola por meio da forma como professores e educadores da educação infantil tratam as crianças negras, oferecendo-lhes carinho e atenção.
  • Moreninho, neguinho, pretinho – Volume 3 – Este volume mostra como os nomes são importantes e fundamentais no processo de construção e de apropriação da identidade de cada um. Discute como as alcunhas e os xingamentos são tentativas de desconstrução/desqualificação do outro, e apresenta as razões pelas quais os professores devem “decorar” os nomes de seus alunos.
  • Cabelo bom. Cabelo ruim – Volume 4 – Muitas vezes, no cotidiano escolar, as crianças negras são discriminadas negativamente por causa de seu cabelo. Chamamentos pejorativos como “cabeça fuá”, “cabelo pixaim”, “carapinha” são naturalmente proferidos pelos próprios educadores, que também assimilaram estereótipos relativos à beleza. Neste volume discute-se a estética negra, principalmente no que se refere ao cabelo e às formas como os professores podem descobrir e assumir a diversidade étnico-cultural das crianças brasileiras.
  • Professora, não quero brincar com aquela negrinha! – Volume 5 – Este volume trata das maneiras como os professores podem lidar com o preconceito das crianças que se isolam e se afastam das outras por causa da cor/raça.
  • Por que riem da África?Volume 6 – Muitas vezes crianças bem pequenas já demonstram preconceito em relação a tudo que é associado à África: música, literatura, ciência, indumentária, culinária, arte… culturas. Neste volume discute-se o que pode haver de preconceituoso em rir desses conteúdos. Apresentam-se ainda elementos que permitem uma nova abordagem do tema artes e africanidades em sala de aula.
  • Tímidos ou indisciplinados?Volume 7 – Alguns professores estabelecem uma verdadeira díade no que diz respeito à forma como enxergam seus alunos negros. Ora os consideram tímidos demais, ora indisciplinados demais. Neste volume discute-se o que há por trás da suposta timidez e da pretensa indisciplina das crianças negras.
  • Professora, existem santos negros? Histórias de identidade religiosa negra – Volume 8 – Neste volume se discutem aspectos do universo religioso dos africanos da diáspora mostrando a forma como a religião negra, transportada para a América, foi reconstituída de modo a estabelecer conexões entre a identidade negra de origem e a sociedade à qual esse povo deveria se adaptar. São apresentadas as formas como a população negra incorporou os padrões do catolicismo à sua cultura e como, por meio deles, construiu estratégias de resistência, de sobrevivência e de manifestação de sua religiosidade.
  • Brincando e ouvindo estórias – Volume 9 – Este volume apresenta sugestões de atividades, brincadeiras e histórias que podem ser narradas às crianças da educação infantil e também aspectos da História da diáspora africana em território brasileiro, numa visão diferente da abordagem realizada pelos livros didáticos tradicionais. Mostra o quanto de contribuição africana existe em cada gesto da população nacional (descendentes de quaisquer povos que habitam e colaboraram para a construção deste país multiétnico), com exemplos de ações, pensamentos, formas de agir e de observar o mundo. Serve não só a educadores no ambiente escolar, mas também ao lazer doméstico, no auxílio de pais e familiares interessados em ampliar conhecimentos e tornar mais natural as reações das crianças que começam a perceber a sociedade e seu papel dentro dela.
  • Eles têm a cara preta? – Volume 10 – Este exemplar apresenta práticas de ensino que foram partilhadas com aproximadamente 300 professores, gestores e agentes escolares da rede municipal de educação infantil da cidade de São Paulo. Trata-se da Formação de Professores intitulada Negras Imagens – Mídias e Artes na Educação Infantil. Alternativas à implementação da Lei 10.639/03 elaborada e coordenada por pesquisadoras do NEINB/USP simultânea e complementarmente ao projeto “Percepções da Diferença – Negros e brancos na escola.

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Fonte: NEINB-USP – Núcleo de Apoio à Pesquisas em Estudos Interdisciplinares sobre o Negro Brasileiro.

Apresentação na Teia da Diversidade: Memória

Registro de Audiovisual compartilhado por Mestre Alcides de Lima, apresentação na Rádio Amnésia, Teia da Diversidade, UFRN – Natal/RN, maio de 2014.

Contou com a presença de Mãe Lucia de Oyá, Bete de Oxum, Mestre Alcides de Lima, Mestre Marquinhos Simplício, Mestre Chico, Lilian Pacheco, Darlan, Edison Luís dos Santos, entre outros.

 

Descolonizando nossas almas, debate acadêmico

A proposta deste texto é de um diálogo entre os saberes acadêmicos e os orais; entre os saberes tradicionais e os eruditos; é uma iniciativa para se pensar a descolonização das nossas almas. Foi proposto e escrito de maneira partilhada por um Mestre da tradição oral, Alcides de Lima Tserewaptu, e por uma jovem pesquisadora, Roberta Navas. Buscamos refletir brevemente sobre as condições dos afrodescendentes no contexto brasileiro, com base em uma abordagem epistemológica – que perpassa por perspectivas históricas, educacionais, sociais e culturais.
Nos conhecemos em dezembro de 2012, no interior das vivências do curso de extensão (1), ministrado por mestres da cultura oral, professores e pesquisadores acadêmicos, intitulado Pedagogia Griô e Produção Partilhada do Conhecimento (FFLCH – USP), no qual experimentamos, conhecemos e refletimos sobre propostas e novas abordagens conceituais do universo das culturais orais do Brasil e das possibilidades de uma maior socialização destes saberes no âmbito do ensino em geral. É mais que sabido que a oralidade percorre quase todos os espaços da cultura letrada, ou seja, é base para a transmissão de conhecimento, mas foi continuamente posta à prova e não-legitimada em ambientes institucionais, tais como a Universidade.
Em sociedades orais, “se reconhece a fala não apenas como um meio de comunicação diária, mas também como um meio de preservação da sabedoria dos ancestrais, veneradas no que poderíamos chamar elocuções-chave, isto é, tradição oral”. Neste sentido, o conceito de tradição oral pode ser definido como “de fato, um testemunho transmitido verbalmente de uma geração para outra” (VANSINA, 2010). No continente africano, em determinadas regiões como a do Mali, as figuras que representavam esta transmissão eram os mestres da tradição oral e griots, que podem ser divididos em griots músicos, griots embaixadores, griots  louvadores e genealogistas.
Para nós, o termo griô simboliza uma forte expressão tanto da valorização dos saberes orais oriundos dos recônditos rurais e das cidades do Brasil, quanto da valorização do encontro entre a brasilidade e o mundo diverso que a compôs. Assim, o saber do griô está calcado na tradição oral, aqui definida por um saber que é transmitido de geração em geração, e que reinaugura a cada novo nascimento a reprodução de si própria, e do contato com o outro.
De acordo com Mestre Alcides, os griôs e mestres da tradição oral “são todos aqueles e aquelas que detêm um saber que vem sendo transmitido por várias gerações, secular ou milenar através da oralidade, e se reconhece e é reconhecido/a por sua comunidade”. Ou seja, a construção se materializa por meio das histórias do seu povo no interior da rede de histórias das comunidades. Nesse universo, não podemos enfatizar uma etnia ou uma cultura específicas, pois as suas singularidades só adquiriram importância na diversidade do diálogo com outras culturas.
Por um lado, a sabedoria do griô reconhece que sua existência só foi possível em consequência dos antepassados que a constituíram, por meio de um movimento dinâmico de culturas em contínua formação – que chegaram no Brasil e têm construído seus modos de transmissão pela oralidade e seu caminho de entregar ao universo de sua comunidade.  Por outro, o saber do griô é uma forma de definirmos o que pode ser familiar, e é por meio das histórias dos mestres que os objetos da cultura adquirem vibração. Tambores, redes, tapetes, vasilhas, muzuás, artesanatos etc., adquirem vida graças às histórias (re)contadas pelos Mestres. Este saber oral tem seu grande fundamento na intenção de compartilhar vivências, que podem estar inscritas nos rituais religiosos, nas danças, na capoeira (BAIRON, 2012).
Nas sociedades tradicionais seculares e/ou milenares do continente africano, as culturas não são constituídas sob divisões, ou seja, em partes: elas são um todo. Já em sociedades ocidentais, a constituição cultural se dá de maneira mais desconectada. Acreditamos que no contexto ocidental, isso possa ter ocorrido devido a reelaboração e junção das diferentes culturas. Até um certo ponto, por necessidade; por outro lado, por ser uma estratégia das culturas “dominantes” para um melhor e maior controle, pois no acontecer dessa divisão, ocorre uma disputa para que se legitime qual delas é a mais qualificada, a mais “original”: a verdadeira.
Podemos citar como exemplo, o que aconteceu com duas grandes maltas de capoeira na cidade do Rio de Janeiro no final do século XIX, Guaiamuns e Nagôas. A primeira se dizia originalmente brasileira e defendia o partido republicano, a segunda se dizia originalmente africana e defendia o movimento monarquista.
As culturas tradicionais são construídas, elaboradas, atualizadas e transmitidas por suas comunidades, não tendo dono. Já o que vemos na contemporaneidade é a apropriação das culturas tradicionais por parte dos grupos dominantes, atendendo exatamente a proposta destes grupos, pois desarticulam a força da cultura no seu sentido de resistência social. Isso também se aplica à capoeira, uma vez que na discussão acerca da capoeira angola (mãe) – africana, negra; e a capoeira regional, brasileira, branca é necessário reconhecer que no passado, não existiam essas duas nomenclaturas, era somente capoeira. Se pegarmos a etimologia da palavra capoeira, esta não abriga em seu nome a origem africana, mas sim indígena, kaá-pu‘era, (Tupi) – o mato ralo ou cortado.
O que buscamos com a descolonização das nossas almas? O encontro para o reconhecimento, para o diálogo, para o respeito unido a um orgulho incondicional da nossa formação cultural, que abriga suas diversidades nas raízes indígenas, africanas, europeias. Por outro lado, nesta descolonização deve haver espaço para uma ressignificação da historicidade, na qual se discuta o processo genocida de colonização, que ainda persiste em determinar os valores dos saberes e, por consequência, os valores das nossas vidas.

Alcides de LimaMestre Alcides Tserewaptu – Mestre de capoeira e de tradição oral, licenciado pleno em Educação Física e Pedagogia, com especialização em Educação Física Infantil e Ginástica de Manutenção.

Roberta Navas Battistella Relações Públicas, colaboradora da Escola de Governo e mestranda do programa de pós-graduação interdisciplinar Humanidades, Direitos e Outras Legitimidades pela FFLCH – USP.

Nota

(1) Apresentação audiovisual do curso disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=8h_fALXNcWI Notícia publicada no portal UNIVESP sobre o curso disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=4_hmdlBKWP8 . Acesso em: 13.07.2015.

Bibliografia

BAIRON, Sérgio. Livre docente da USP fala sobre a Lei Griô. 2012. Disponível em: http://www.acaogrio.org.br/blog/2012/11/13/sergio-bairon-livre-docente-da-usp-fala-sobre-a-lei-grio/ . Acesso em: 14.06.2015.

BAIRON, Sérgio, BATTISTELLA, Roberta N., LAZANEO, Caio. Fundamentos da produção partilhada do conhecimento e o saber do Mestre Griô. Revista Diversitas, n. 3. USP, São Paulo: 2015, pp. 247-265.

CEACA – CENTRO DE ESTUDOS E APLICAÇÃO DA CAPOEIRA. Capoeira & Educação: coletânea de estudos e práticas. / Mestre Alcides de Lima (Org.). São Paulo: CEACA, 2013.

COSTA, A. C. F. ; LIMA, M. A. . Entrevista com Mestre Alcides de Lima. Revista Diversitas, v. 2, p. 385-396, 2014.

HAMPÂTÉ BÂ, Amadou. A tradição viva. In: KI-ZERBO, J. (coord.) Metodologia e Pré-História da África, História Geral da África. Brasília: Unesco, 2010. v.1. p.193.

LIMA, Alcides D. Capoeira & Educação: Coletânea de Estudos e Práticas. São Paulo:  CEACA, 2013.

SOARES, Carlos Eugênio Líbano. A Negregada Instituição: os capoeiras na Corte Imperial 1808-1850,  Unicamp, 1993.

VANSINA, Jan. A tradição oral e sua metodologia. In: KI-ZERBO, J.(coord.) Metodologia e Pré-História da África, História Geral da África. Brasília: UNESCO, 2010.

Fonte: http://www.unesp.br/portal#!/debate-academico/descolonizando-nossas-almas/, publicado em 15/07/2015, site UNESP.

Reunião grupo de estudos CEACA 9.8.2014

O grupo de estudos do CEACA sempre se reúne uma vez por mês para tratar dos assuntos relacionados às culturas de tradição oral. Ao final de cada encontro, o anfitrião oferece almoço aos participantes que voluntariamente se revezam para receber os amigos em sua casa, na próxima reunião. A metodologia se fundamenta na “roda de conversa”, com liberdade de expressão e opinião, o que enriquece a convivência e o crescimento intelectual coletivo, por meio da escuta e reflexão. Na ocasião, aproveitamos para divulgar novidades e informes, bem como encaminhar questões relativas à educação, cultura e cidadania, produção partilhada de saberes e fazeres da cultura de tradição oral.

Neste mês, o encontro aconteceu na casa do Edison, aprendiz de griô e pesquisador na área de Cultura e Informação (ECA-USP), no dia 09 de Agosto de 2014. Conforme declaração de Mestre Alcides de Lima em sua página pessoal do facebook:

“a reunião do Grupo de Estudos do CEACA na casa do Edison foi um dia proveitoso, uma pauta cheia, informes dos artigos, confecção do no ‘logo’ do CEACA, e estudos de editais para fomentar nossos trabalhos, que são vários, mas sem nenhum recurso até o momento; estavam presentes: Aninha, Kati, Valter, Edison, os Mestres Durval do Coco e Dorival. É um caminho difícil, pois a pesquisa e os estudos dependem de tempo de cada pessoa, de cada dedicação individual, mas sinto uma ‘urgência’ nessas questões; está na mídia hoje falar em ‘culturas tradicionais e populares’, mas continuam não sendo tratadas como deveriam ser; os editais públicos ainda são para excluir e não inclusivos, rebuscados, ameaçadores… Não chegam onde tem que chegar, naqueles que realmente conhecem e praticam no seu dia a dia. Edison seu almoço estava muito bom, faz parte das culturas tradicionais as refeições como momentos sagrados, ritualísticos. Compartilhado com Valter Souza e Clínica Do Texto”. (09.08.2014)

Com alegria, o anfitrião do encontro apresentou ao grupo a versão impressa da dissertação defendida em 2013: “Estação memória Cambury: mediação cultural com os parceiros do rio que muda”, também disponível para download, em versão digital – Baixe o arquivo: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27151/tde-19112013-161748/pt-br.php

Reunião Grupo de Estudos CEACA, 09.08.2014 - casa do Edison.

Reunião Grupo de Estudos CEACA, 09.08.2014 – casa do Edison.

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Reunião Grupo de Estudos CEACA, 09.08.2014 – casa do Edison.

O próximo encontro ficou provisoriamente marcado para o dia 21 de setembro, na casa da Ísis, em Cotia – São Paulo.

 

Seminário Capoeira e Cidadania presta homenagem aos mestres do saber

O Seminário Capoeira e Cidadania foi organizado por Mestre Gladson e Mestre Vinicius no CEPEUSP. Reuniu vários Mestres, professores, alunos etc. Conforme comentou Mestre Alcides de Lima em sua página do facebook,

“Foi um encontro maravilhoso… Mais emocionante ainda foi a homenagem ao Mestre Meinha, com muito Axé! Saí dali muito fortalecido… A cantoria do coco com Mestre Durval e Eliane foi excelente, todos curtiram e dançaram; tive a oportunidade de conhecer Mestre Ramos, Senzala do Rio de Janeiro, e reencontrar amigos como Mestres César e Mané, Natanael, Flávio Sargento entre tantos outros”.
 Vejam as imagens do evento e link para acessar a cantoria de Mestre Ramos, grupo Senzala do Rio de Janeiro.

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A Capoeira é uma das mais representativas manifestações da cultura brasileira, tendo sida reconhecida, em 2008, como Patrimônio Cultural Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN). Tendo o referido órgão do Ministério da Cultura incluído o ofício dos Mestres de Capoeira no Livro dos Saberes e a Roda de Capoeira, no Livro das Formas de Expressão.

Historicamente a Capoeira sempre esteve associada à afirmação de direitos e luta pela cidadania, sendo os direitos à LIBERDADE e à Dignidade Humana as mais importantes demandas sociais reivindicadas e conquistadas ao longo da história da Capoeira. Criada no Brasil pelos africanos aqui escravizados, a Capoeira sempre se caracterizou como luta de resistência contra a opressão do sistema dominante.

Nos últimos anos a Capoeira tem sido inserida em Escolas, Universidades, Centros Comunitários e Projetos Sociais no Brasil e no mundo, oferecendo a crianças, jovens, adultos, idosos e portadores de necessidades especiais o direito à Educação, à Cultura e à Inclusão Social. Em cada um desses espaços, a Capoeira contribui para a formação de indivíduos mais conscientes de seus direitos e deveres e aptos a participar ativamente da construção da Cidadania.

Neste contexto, os Mestres da Cultura popular e mais especificamente os Mestres de Capoeira, desempenham papel fundamental, preparando seus discípulos para a vida como um todo, sensibilizando-os para importantes questões da sociedade atual. As manifestações populares como a Capoeira são um campo propício para o desenvolvimento da Cidadania e da consciência de ser brasileiro. Com o intuito de aprofundar a vivência e a reflexão, a teoria e a prática do potencial que a Capoeira, os Mestres do Saber e a Cultura Popular apresentam na promoção da Cidadania, o Seminário Capoeira e Cidadania promoveu entre os dias 27 e 29 de JUNHO atividades diversas aproximando os diferentes atores envolvidos neste cenário.