Rolou o Maculelê na Pça Elis Regina

Hoje, dia 09 de Julho de 2017, houve a apresentação do Maculelê na Praça Elis Regina, Butantã-SP. O Maculelê é uma manifestação cultural da Bahia, berço também da capoeira. É uma expressão teatral que conta, através da dança e dos cânticos, a lenda de um jovem guerreiro, que sozinho conseguiu defender sua tribo de outra tribo rival usando apenas dois pedaços de pau, tornando-se o herói da tribo. É um tipo de dança folclórica brasileira de origem afro-brasileira e indígena. A origem do Maculelê tem diversas lendas ao seu redor. Tais lendas, naturalmente, vieram da tradição oral característica às culturas afro-brasileira e indígena da época do Brasil Colônia e inevitavelmente sofreram alterações ao longo do tempo.

 

A apresentação do Maculelê na Praça Elis Regina foi organizada pelo Coletivo Rumpilê Maculelê, que participou ativamente do movimento de ocupação da Creche e Pré-Escola Oeste (USP), por meio de encontros abertos à comunidade, todas as quartas-feiras à tarde.

A ocupação em uma das creches da Universidade de São Paulo (USP), referência em educação infantil, começou no dia 16 de janeiro, quando pais de alunos ocuparam o prédio para impedir que a unidade fechasse. Desde então, eles passaram 24 horas por dia, em esquema de revezamento para impedir a retirada dos objetos da creche. A reabertura da Creche e Pré-Escola Oeste, além de uma grande vitória jurídica, representou a conquista da unidade entre estudantes, trabalhadores e docentes! No final do mês de Junho, os desembargadores, após ouvir nossos argumentos dos procuradores da USP, decidiram por unanimidade pela reabertura da Creche e Pré-Escola Oeste!

Saiba mais sobre a Creche Aberta.

Seguem algumas fotos registradas pelo Contra Mestre Emerson Marinheiro (Lagarto):

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CEACA participa da Festa Junina do Amorim Lima

A Festa Junina é a maior festa coletiva da escola Amorim Lima. Ela é uma grande celebração da cultura popular brasileira e aconteceu hoje, no dia de São João, 24 de Junho de 2017. Durante a festa vários alunos apresentaram números de danças, maracatus, cocos e quadrilhas, incluindo a tradicional roda de capoeira do CEACA, além da ciranda da comunidade, barracas de brincadeiras e comidas e bebidas variadas. Ao final da noite, todas as pessoas participaram do “Cortejo das Lanternas”.

As prendas da Festa Junina foram todas confeccionadas artesanalmente pela comunidade a partir de materiais recicláveis. Toda a comunidade compareceu e ajudou: estudantes, familiares, professoras, professores, funcionárias e funcionários, vizinhos, amigos, cantores populares etc. Foi organizada em conjunto pela comunidade e a equipe de gestão da escola.

Veja a seguir a apresentação do Maculelê pelos integrantes do CEACA:

 

Escola transformadora e arte-educação são temas de formação na EMEF Amorim Lima

Localizada na região do Butantã, em São Paulo, a Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Desembargador Amorim Lima possui um Plano Político Pedagógico diferente das demais escolas. Na formação teórica do dia 04 de maio, os/as jovens monitores/as do Programa Jovem Monitor/a Cultural (PJMC) não apenas conheceram a experiência educativa do local, como também vivenciaram algumas práticas de arte-educação baseadas nas culturas tradicional e popular.
No período da manhã, os/as jovens participaram de vivências de coco de roda, samba de roda, maculelê, ciranda e outras manifestações culturais ministradas pelos mestres Alcides de Lima, Durval do Coco e o professor Rodrigo Pança, integrantes do Centro de Estudos e Aplicação da Capoeira (CEACA).
Existente desde 1988, o CEACA é uma associação sem fins lucrativos que tem como missão preservar e promover as culturas tradicionais, em especial a capoeira. Desde abril de 2000 desenvolve oficinas junto aos/as alunos/as da EMEF Desembargador Amorim Lima. No local, atua como Ponto de Cultura “Amorim Rima/CEACA” desde 2005.
“[A formação do dia] foi mais uma vivência pra vocês [jovens] sentirem no corpo como se dá essa relação da cultura tradicional com a escola”, explicou Rodrigo Pança antes das atividades começarem.
Rodrigo também conversou com os/as monitores/as sobre sua trajetória na capoeira. Oriundo da Favela do São Remo, ainda criança começou participar das oficinas de capoeira no projeto “Minha História” ministradas pelos mestres Alcides e Dorival. “A capoeira e o trabalho que os mestres [Alcides e Dorival] desenvolvem, e que eu de certa forma dou continuidade, transformou a minha vida no sentido de sair daquele mundo da minha comunidade, porque se você não se abrir, você acha que o mundo é aquilo que se vive lá”.
A escola transformadora
O Plano Político Pedagógico da Amorim Lima foi inspirado na Escola da Ponte, em Portugal, onde os/as alunos não são orientados por professores/as, mas por educadores/as tutores/as, que avaliam o progresso do/a estudante e tiram suas dúvidas em caso de necessidade. Os estudos são interdisciplinares e norteados por roteiros de pesquisa contendo objetivos, desenvolvidos a partir de livros didáticos sugeridos pela Secretaria Municipal de Educação. O Plano Político Pedagógico da escola foi aprovado em 2005 em uma reunião do Conselho de Escola.
Todo o Plano surgiu a partir da participação entre a escola e familiares dos/as alunos/as que, percebendo a dinâmica do local, pensaram em um novo modelo pedagógico e também de espaço – grades foram retiradas do pátio e dois grandes grupos de salas de aula tiveram suas paredes literalmente derrubadas.
“Acredito que a [EMEF] Amorim só pôde chegar nesse projeto de quebrar parede e conseguir chegar ao patamar em que está hoje por causa desse percurso que fomos construindo junto com a comunidade, fortalecendo muito mais a comunidade do que a própria rede de professores ou de educação, porque são os pais, hoje, que seguram esse projeto, de certa forma”, comenta Ana Elisa Siqueira, diretora que deu início às transformações físicas e pedagógicas na escola.
“A cultura permeia todo o trabalho pedagógico da escola”, explica. A proposta da escola, segundo a diretora, foi embasada em um trabalho de cultura popular. Através de uma parceria com uma fundação, foi dado início a um projeto onde os/as estudantes participavam de oficinas de cultura brasileira, vivenciando práticas de capoeira, dança e música. No entanto, não foi fácil possibilitar o encontro da escola com a cultura.
“Houve dificuldades quando trouxemos esse trabalho de cultura para dentro da escola, tanto para a comunidade, que muitas vezes não via isso como algo importante a ser estudado e trabalhado no horário pedagógico, como para os professores que, de certa forma, não encaravam essa linguagem como importante pro seu próprio trabalho”, conta.
Por fim, os/as jovens monitores/as puderam conversar sobre como os/as estudantes se organizam, a formação dos/as professores, os desafios de manter o Plano Político Pedagógico diferenciado, a relação da escola com a gestão pública, entre outros assuntos.
“A coisa mais importante do fundamento do ser humano é nos constituirmos como seres culturais. Sentimos que as crianças podem exercitar, do ponto de vista da cultura e do corpo, uma condição muito mais ampla de aprendizagem”, finaliza.

Fonte: http://www.polis.org.br/convivenciaepaz/?p=3451

Assista ao vídeo: