Lançamento do livro LDB da Educação

No dia 03 de junho (sábado), a partir das 15h30, aconteceu um grande encontro de educadores, autores e pesquisadores da educação na escola EMEF Desembargador Amorim Lima para participarem do lançamento do livro:

“Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacionalestudos em virtude dos 20 anos da Lei n. 9.394/1996″

Valeu a pena participar do evento, que contou com a participação dos amigos do CEACA: Mestre Alcides de Lima e Roberta Navas Battistella, que escreveram juntos um relato bem bacana que consta no livro.

Veja o vídeo de abertura com Mestre Alcides de Lima

Sobre os autores

 Mestre Alcides de Lima Tserewaptu nasceu em 1947, na cidade de Santa Rita da Estrela (MG). É conhecido e respeitado como mestre de capoeira e presidente do Ceaca. Atua como coordenador do Ponto de Cultura Amorim Rima/Ceaca e do projeto “Expresse-se com Consciência: Faça Capoeira”. Mestre Alcides também é representante nacional da Comissão de Griôs e Mestres da Tradição Oral da rede Ação Griô Nacional.

RobertaNavasBattistella Roberta Navas Battistella: Graduada em Comunicação Social (habilitação em Relações Públicas) pela Faculdade Cásper Líbero (2010), com experiência em comunicação e gestão de projetos em áreas de sustentabilidade, educação, comunicação e cultura. Em 2011 recebeu o Prêmio ABRP (Associação Brasileira de Relações Públicas), na Categoria Monografia de Graduação Responsabilidade Socioambiental e Sustentabilidade. Atualmente faz mestrado no Programa de Pós-Graduação em Humanidades, Direitos e Outras Legitimidades da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP; integrante do NEHO (Núcleo de estudos em História Oral), CEDIPP (Centro de Comunicação Digital e Pesquisa Partilhada) e CEACA (Centro de Estudos e Aplicação da Capoeira).

Endereço:

Rua Professor Vicente Peixoto, 50 – Vila Indiana – São Paulo

Tel: (11) 3726-1119

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Evento “Abril pra Angola 2017” homenageia Mestre Alcides de Lima

O Abril Pra Angola é um evento realizado pela Escola de capoeira Angola Cruzeiro do Sul e amigos com supervisão de Mestre Meinha. Reúne várias atividades culturais como capoeira, danças populares, percussão, shows, oficinas e palestras.

O Abril pra Angola é um evento elaborado anualmente com muito carinho e destinado a quem quer realmente conhecer a Capoeira Angola, suas origens, fundamentos e raízes.

No dia 27 de Abril de 2017, Mestre Alcides de Lima, presidente fundador do Centro de Estudos e Aplicação da Capoeira (CEACA) foi homenageado por Mestre Meinha que entregou-lhe um prêmio de reconhecimento pelo trabalho social, educacional e cultural desenvolvido ao longo de quarenta anos.

“Expresse-se com consciência: faça capoeira” – uma experiência de diálogo entre educação escolar e culturas de tradição oral

Mestre Alcides de Lima Tserewaptu

Ana Carolina Francischette da Costa

 

Neste artigo, o mestre de capoeira Alcides de Lima Tserewaptu e a capoeirista e historiadora Ana Carolina Francischette da Costa relatam a experiência do Centro de Estudos e Aplicação da Capoeira (Ceaca), que traça um diálogo entre educação escolar e culturas de tradição oral, especialmente as de matriz afro-indígena. Desde 2000, o Ceaca desenvolve o projeto Expresse-se com Consciência: Faça Capoeira, que trabalha elementos da cultura popular brasileira, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Desembargador Amorim Lima, em São Paulo (SP).

O projeto faz parte do currículo e do projeto pedagógico da escola, e é aplicado nas turmas do 1º ano do Ensino Fundamental, além de atender à comunidade, em oficinas semanais realizadas no período noturno, contribuindo para a formação de centenas de crianças, adolescentes e adultos. As ações do grupo visam estabelecer um diálogo entre a cultura popular oral e a cultura formal, tendo como fio condutor a capoeira, o coco, a ciranda, o samba de roda, o samba duro, a puxada de rede da pesca do xaréu, o toré, o cordel e toda musicalidade e oralidade envolvidas nessas manifestações culturais.

Em suas oficinas, o Ceaca busca associar as culturas de matrizes indígenas e africanas, historicamente silenciadas, valorizando sua história, seus conhecimentos e suas manifestações, pilares da formação social de nosso povo. Trazer esses saberes para a instituição escolar possibilita a ressignificação desse espaço. Ao promover o encantamento da aprendizagem, a valorização e a afirmação da diversidade cultural, o grupo fomenta a descolonização do currículo, a construção de relações ético-raciais positivas, o fortalecimento da ancestralidade, a valorização da experiência de vida, o fortalecimento da autoestima de alunos e alunas, de suas famílias, bem como dos mestres de tradição oral.

Em 2005, por meio de um edital do Ministério da Cultura, o grupo tornou-se o Ponto de Cultura Amorim Rima/Ceaca; em 2006 e 2007, o programa foi selecionado pelo projeto Ação Griô Nacional, da tradição oral, e contemplado com o Prêmio Escola Viva, do Ministério da Cultura.

Clique no link para baixar o Arquivo na Íntegra (pdf)http://www.plataformadoletramento.org.br/arquivo_upload/2016-11/20161121112323-expresse-se-com-consciencia-faca-capoeira-artigo-mestre-alcides.pdf

Sobre os autores

Mestre Alcides de Lima Tserewaptu nasceu em 1947, na cidade de Santa Rita da Estrela (MG). É conhecido e respeitado como mestre de capoeira do Ceaca. Atua como coordenador do Ponto de Cultura Amorim Rima/Ceaca e do projeto “Expresse-se com Consciência: Faça Capoeira”. Mestre Alcides também é representante nacional da Comissão de Griôs e Mestres da Tradição Oral da rede Ação Griô Nacional.

Ana Carolina Francischette da Costa é capoeirista integrante do Ceaca, aluna de Mestre Alcides. Professora de História, historiadora, mestre em História Social pela Universidade de São Paulo. Atua em pesquisas sobre comunidades remanescentes de quilombos e outras comunidades tradicionais com base na história oral; além estudar a relação entre tradição oral e educação formal.

 

Fonte: http://www.plataformadoletramento.org.br/acervo-para-aprofundar/1146/expresse-se-com-consciencia-faca-capoeira.html

 

Documentários sobre o samba e sambistas

Seleção de documentários sobre o samba e sambistas: Bezerra da Silva, Cartola, Geraldo Pereira, Heitor dos Prazeres, Jards Macalé, João da Baiana, Nelson Cavaquinho, Noel Rosa, Paulinho da Viola,  Pixinguinha, Saravah, Os avôs do samba, Partideiros, Partido alto.

BEZERRA DA SILVA (Cantor, compositor e instrumentista)

Onde a coruja dorme: O cantor Bezerra da Silva tornou-se uma estrela nacional nos anos 80 durante a chamada “explosão do pagode”. Classificado inicialmente pela crítica como “sambandido”, sua música encantou o público brasileiro com crônicas cáusticas e extremamente bem humoradas sobre o cotidiano das favelas cariocas e da Baixada Fluminense. Poucos sabem o segredo do sucesso de Bezerra da Silva: sua equipe de compositores – pedreiros, trocadores de ônibus, carteiros, técnicos de refrigeração e biscateiros em geral. Sambistas genuínos escolhidos a dedo por Bezerra. Trabalhadores anônimos que cantam como ninguém o universo da malandragem carioca.

 

CARTOLA (Compositor, cantor e violonista)

Cartola – Música para os olhos: A história do samba segundo um dos seus expoentes mais nobres. Utilizando linguagem fragmentada, o filme descreve um painel da formação cultural do Brasil.

 

GERALDO PEREIRA (Compositor e cantor)

Geraldo Pereira, o rei do samba: É um filme musical que retrata parte da vida e da obra do compositor, cantor, ator, malandro e sambista Geraldo Pereira. Amigo de Cartola, o juiz-forano criou o samba sincopado, que influenciaria a bossa-nova anos mais tarde. Uma de suas mais conhecidas composições é “Falsa Baiana”, gravada por Gal Costa. Outros sambas importantes de sua autoria são: “Acertei no milhar”, “Escurinha”, “Sem compromisso”, “Pisei num despacho” e “Bolinha de Papel”.

 

HEITOR DOS PRAZERES (Compositor, instrumentista e artista plástico)

Heitor dos Prazeres: Memórias do sambista popular e pintor naif Heitor dos Prazeres em seu atelier na Cidade Nova, bairro decadente do Rio de Janeiro. No fim da vida, Heitor sobrevivia de seus sambas, seus quadros e suas recordações.

 

JARDS MACALÉ (Compositor, cantor, violonista, arranjador, produtor musical e ator)

Jards Macalé, um morcego na porta principal: Uma luz sobre a trajetória nada linear deste artista contestador e personagem controverso da cultura brasileira nas últimas quatro décadas. Autor de Vapor barato e Movimento dos barcos, violonista, arranjador, ator e autor de trilhas de Nelson Pereira dos Santos, amigo pessoal de Lygia Clark e Hélio Oiticica.

 

JOÃO DA BAIANA (Compositor e pandeirista)

Conversa de botequim: João da Baiana é o personagem principal deste documentário, mostrado em sua intimidade, lembrando as origens do samba, as perseguições e os preconceitos sofridos no passado. Participação especial de Donga e Pixinguinha.

 

NELSON CAVAQUINHO (Compositor, cantor e instrumentista)

Nelson Cavaquinho: Nelson em sua casa, no bar, na vizinhança, cantando e dedilhando o violão; Hirszman captou o compositor na sua rotina simples de poeta do povo. Um retrato afetivo para ser apreciado pelos fãs da música brasileira.

 

NOEL ROSA (Compositor, cantor e violonista)

Noel Rosa o poeta da vila: A trajetória de Noel Rosa, um dos maiores compositores da história da MPB, que trocou a faculdade de Medicina pelo samba e pela boemia carioca, na década de 20, tornando-se ídolo do rádio, aos 19 anos, com o enorme sucesso alcançado com a canção Com Que Roupa. O filme acompanha não apenas a carreira musical de Noel, como também sua vida afetiva que, até morrer prematuramente de tuberculose, dividiu-se entre dois grandes amores: Lindaura, jovem operária com quem se casou, e Ceci, dançarina com quem manteve um caso tempestuoso.

 

PAULINHO DA VIOLA (Compositor, cantor e instrumentista)

Paulinho da Viola – meu tempo é hoje: O cantor, compositor e instrumentista Paulinho da Viola apresenta seus mestres e amigos, suas influências musicais e percorre sua rotina peculiar e discreta, apresentando hábitos e costumes desconhecidos do grande público.

 

PIXINGUINHA (Instrumentista, compositor, orquestrador e maestro)

Pixinguinha e a Velha Guarda do samba: Em abril de 1954, nos festejos do 4º Centenário de São Paulo, Thomaz Farkas filmou uma apresentação de Pixinguinha com a Velha Guarda do samba. O filme recupera esse material perdido por cinquenta anos.

Pixinguinha: Depoimento intimista. O compositor fala de sua iniciação musical, dos velhos amigos e de seu ambiente caseiro – o piano, as partituras, os remédios. Na varanda, os cascos de bebidas vazios, resultado de reuniões com amigos. Começou no cavaquinho, tocou flauta e saxofone. Os antigos sucessos são relembrados no saxofone que Paulo Bittencourt lhe deu de presente. Pixinguinha toca Carinhoso.

OUTROS DOCUMENTÁRIOS SOBRE O SAMBA E SAMBISTAS

Saravah: Em fevereiro de 1969 o diretor de cinema francês Pierre Barouh desembarcou no Rio de Janeiro disposto a registrar em película momentos de uma música que, embora conhecesse pouco, o fascinava intensamente. O olhar do estrangeiro, de coração aberto para a música brasileira, capturou imagens que durante 36 anos permaneceram desconhecidas no país. Aqueles momentos registrados viraram o documentário Saravah, resultado das sessões de filmagem de Barouh com os ancestrais Pixinguinha e João da Baiana, então octogenários, os jovens Maria Bethânia (aos 21 anos) e Paulinho da Viola, tendo Baden Powell como elo de ligação entre gerações tão distantes e fundamentais da arte brasileira. Interessado nas intervenções culturais e religiosas da presença da África no Brasil, Barouh entrevista João da Baiana que, acompanhado por Baden ao violão, sapateia e toca prato e faca, enquanto entoa “Okekerê”, de sua autoria, e “Yaô”, de Pixinguinha. Um momento em que a história atemporal do Brasil é materializada em imagens pelas lentes de Barouh.

 

Os avôs do samba: Documentário gravado em 1978 com depoimentos de Carlos Cachaça e sua esposa, Dona Menininha, Nélson Cavaquinho tocando bandolim, Adoniran Barbosa, Demônios da Garoa, Mano Décio, Cartola e Dona Zica.

 

Partideiros: Produzido em 1978, o documentário “Partideiros” reúne os grandes compositores do partido alto na década de 1970. Entre eles, Grupo Vissungo, Pandeirinho, Campolino, Casquinha, Argemiro, Osmar do Cavaco, Clementina de Jesus, Giovana, Xangô da Mangueira, Martinho da Vila, Geraldo Babão, Guará, Wilson Moreira e Aniceto. O roteiro de Nei Lopes, Rubem Confete e Clóvis Scarpino, agrupa depoimentos de ícones desse gênero, que surgiu no início do século XX ao longo do processo de modernização do samba urbano carioca. Como há discórdia entre estudiosos para definir o que realmente seria o partido alto, o curta-metragem percorre pelas memórias dos músicos ajudando a traçar a identidade dessa vertente. Guará dança o partido, da forma como aprendeu com o pai. Bucy Moreira relembra figuras como Pixinguinha, João da Baiana e Donga tocando na casa de sua avó, Tia Ciata. Ao som de pandeiro, flauta ou instrumento improvisado, Aniceto conta que esse estilo era o mesmo que a chula, música sem letra, feita somente do solo das instrumentações.

 

Partido alto: Com raízes na batucada baiana, o partido alto é uma forma livre de expressão e comunicação imediata, com versos simples e improvisados, de acordo com a inspiração de cada um. Uma forma de comunhão, reunindo sambistas em qualquer lugar e hora pelo simples prazer de se divertir.

 

Mais sobre música:

:: Música tradicional – folguedos e danças populares: o nosso patrimônio imaterial. Acesse AQUI!
:: Patrimônio cultural imaterial brasileiro. Acesse AQUI!
:: Pixinguinha – o mestre do Catumbi. Acesse AQUI!

Fonte: http://www.revistaprosaversoearte.com/15-documentarios-sobre-o-samba-para-assistir-e-estudar/

Falar de Cultura Viva é falar do inefável

“Quando falamos de Cultura Viva falamos do inefável” (Célio Turino)

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Fonte: http://iberculturaviva.org/; Fotos: Georgina García/Puntos de Cultura

“Inefável” é aquilo que não se pode explicar com palavras. O que não se pode nomear ou descrever em razão de sua natureza, força, beleza. Foi este o adjetivo usado pelo historiador Célio Turino para definir o que unia todos os que estavam no 3º Encontro Nacional de Pontos de Cultura da Argentina e o 1º Encontro de Redes IberCultura Viva, realizados em programação conjunta de 30 de novembro a 2 de dezembro no Centro Cultural San Martín, em Buenos Aires (Argentina).

“Quando falamos de Cultura Viva falamos do inefável”, afirmou Turino na conferência magistral do evento. “Assim como a companheira de Belize nos diz que pode sentir a dor e a alegria que há em um Ponto de Cultura do Brasil ou da Argentina, ainda que não os conheça, eu também posso sentir a festa em Belize sem nunca ter ido lá. E é assim em todo lugar, com nós todos. É assim porque o inefável nos une.” Um dos criadores e principais impulsores do programa Cultura Viva – lançado no Brasil em 2004 e transformado em política de Estado em 2014 –, Turino começou sua conferência no encontro falando da história da América. Um lugar para onde todos vieram, de uma forma ou de outra, atravessando o Estreito de Bering, ou pela Polinésia, ou cruzando o Oceano Atlântico.

“Este continente que cruza o planeta de norte a sul tem esta característica, as humanidades afluem para cá”, comentou. “Depois, com o processo de colonização, nos fundimos com a gente que veio, os imigrantes, os africanos. E assim nos fizemos, e assim fomos e vamos nos mesclando. Este é um continente mestiço, com uma riqueza fabulosa.”

Ao comparar a cultura a uma floresta – quanto mais diversa, mais bela –, Turino chamou a atenção para a importância da complementaridade, das fusões, dos encontros. “A cultura é o resultado da fusão entre tempo e espaço”, disse. “Quando compartilhamos nossas tradições, nossas histórias, nossa memória, vamos produzindo a cultura. E quando esta cultura é compartilhada em um território, ela se solidifica. E assim nos identificamos. É o inefável, é isso que nos define e que garante que a cultura se transporte.”

Espaço e Território

Daí a ideia dos Pontos de Cultura, de sedimentar as ações no território e perceber o espaço do território como um conjunto de tradições e experiências. “Não é uma única coisa. Não podemos nos prender à ideia fundamentalista de que há uma única verdade, e sim muitas contribuições”. Ou seja, um conhecimento tradicional pode dividir o espaço com um conhecimento de vanguarda, uma experiência estética, tecnológica, e nesta fusão também está sua riqueza, sua beleza.

Turino citou como exemplos as centenas de encontros feitos no começo do programa Cultura Viva no Brasil, em que jovens fazem oficinas de software livre, de edição de vídeo, em favelas, aldeias indígenas e áreas rurais, e tanto ensinavam como aprendiam. Também recordou uma viagem que fez ao Peru e se espantou com a diversidade do milho. “Só conhecia o amarelo, e lá vi milho preto, vermelho… Mostrava as fotos para os amigos e me perguntavam: ‘É transgênico?’ Não, é inteligência coletiva, traduzida nos Andes por milhares de anos e oferecida gratuitamente às pessoas. Não tem dono.”

Urgência histórica

E que diriam os povos ancestrais, os que ajudaram a construir esta floresta diversa que é a gente da América Latina, se soubessem do conceito de desenvolvimento das sociedades ocidentais? “Quando falamos de Cultura Viva estamos falando de vida, de convivência. Claro que crescemos, que desenvolvemos e que há um ciclo em que tudo se fenece e se constrói outra coisa. O conceito de desenvolvimento das sociedades ocidentais, entretanto, é que se pode acumular, acumular, extrair, extrair… E o planeta é finito. Não há lógica em viver em um sistema que tem como base a acumulação infinita. O conceito de bem viver é o contrário disso”.

Como historiador, Célio Turino se acostumou a trabalhar com a ideia de “paciência histórica”, porque os processos são longos. “Agora temos que trabalhar com outro conceito, o de urgência histórica, porque não há mais longo prazo para a humanidade. Em 20, 30 anos, estaremos vivendo um colapso”, afirmou. “Somos ladrões de nossos filhos e netos e dos netos de nossos netos. Temos que nos reconhecer assim se queremos mudar e roubar menos dos outros”.

Cultura do Encontro

Para falar da importância dos encontros, e de como os encontros podem promover mudanças, Turino pediu aos organizadores do evento uma escada. Precisava de uma durante a conferência para mostrar como a imagem criada para o 3º Encontro Nacional que aparecia no palco (vários círculos juntos, formando o número 3) tinha que ver com a ideia dos Pontos de Cultura.

“Existem pontos fechados, abertos, pequenos, grandes, com mais ou menos cor, formando esta imagem. Cada um, de uma maneira diferente, produz este processo de interseções, permitindo que um círculo se conecte com outro. Ou seja, este círculo poderia ter uma forma diferente do outro. No entanto, quando se conectam eles mudam e formam coisas, como esta imagem. Acredito que aí está a beleza dos Pontos de Cultura e da Cultura Viva”, comparou, de cima da escada.

Para o historiador, mais que uma intersecção entre Estado e sociedade civil, Cultura Viva tem a ver com “colocar o reino da vida em equilíbrio com o império dos sistemas (as leis do mercado, do Estado, das igrejas)”. Autonomia, protagonismo e empoderamento, segundo ele, seriam palavras-chave para começar as mudanças.

“Temos que construir um processo de diálogo”, ressaltou. “Se as pessoas não têm a oportunidade de falar por sua própria voz, não há diálogo. Elas têm que se sentir empoderadas para falar com o Estado. Por outro lado, o Estado tem que aprender a falar com as pessoas – inclusive porque, como dizia meu avô, o Estado tem que servir ao povo, não servir-se do povo. É necessário que um se disponha a escutar o outro, porque se me fecho na minha verdade não consigo estabelecer a cultura do encontro”.
Fonte: http://iberculturaviva.org/celio-turino-quando-falamos-de-cultura-viva-falamos-do-inefavel/

Memórias do CEACA 2016

Sr. Durval do Coco cantou na Festa da Cultura do Amorim Lima

Mestre Durval é cantador do Coco. Nasceu em uma cidade de Pernambuco chamada Garanhuns, em 17 de março de 1937. Aprendeu o coco de improviso, escutando minha mãe e suas amigas cantando, mas ele queria cantar diferente, sem o sotaque que elas tinham. Gostar de cantar já vem dessa tradição familiar. Quando tinha uns 17 anos mudou para Olinda, cidade grande de Pernambuco, tudo diferente da cidade pequena onde nasceu. Foi orador de uma associação de um clube de dominó, já falava bem, tinha um discurso muito bom.

Conheceu Mestre Alcides e o CEACA por meio de um grande amigo – Valter (Valtão) – que sempre lhe dizia que tinha que conhecer esse mestre, que gosta de capoeira e macumbas, referindo-se à sua mãe dona Selma que é de terreiro, e ele diz não acreditar nessas coisas.

Participando das festas de Coco na cidade de Recife aprendeu o instrumento que mais lhe agradava na orquestra de coco, o ganzá, que utilizou para acompanhar os versos que começava a fazer, mas não queria fazer igual queria fazer melhor que os outros coquistas.

O coco que o Sr. Durval e a sua família tocam tem como característica o improviso, é uma manifestação popular surgida em festas abertas que sugere a espontaneidade do povo brasileiro, a ludicidade e a espiritualidade reservada ao toque dos instrumentos da orquestra que é formada pelo atabaque, o ganzá e os pontos versados. Considera-se coco raiz aquele que se comunica por meio da expressão e transmissão de conhecimentos através da musicalidade, expressão verbal e corporal.

 

Para saber mais, visite a página do Sr. Durval no site: https://capoeiraceaca.wordpress.com/mestres/durval-do-coco/