Parabéns, 32 anos: o CEACA somos todos nós!

O Centro de Estudos e Aplicação da Capoeira (CEACA) é uma associação sem fins lucrativos que promove a Capoeira como um bem que deve ser compartilhado e investigado. Tem como missão preservar e promover as culturas de tradição oral, em especial a capoeira, compartilhando dos seus benefícios sociais para a formação de seres humanos integrados com a sua realidade. Foi fundada em 20 de abril de 1988, registrada com CNPJ 06.116.648/0001-04 (02.02.2004), sediada à época na sala 51, bloco “B” do CRUSP, onde já estávamos desde início dos anos de 1990.

Mas, essa história não começou aí! A semente foi lançada no início dos anos de 1970 com o Mestre Eli Pimenta (aluno da FFLCH, Ciências Sociais) e Mestre Freguesia, baiano de Itabuna, ambos formados pelo Grupo Cordão de Ouro do Mestre Suassuna. O curso era frequentado por alunos, professores e funcionários da USP, na piscina do CRUSP, chamada “Aquário”, onde Mestre Alcides iniciou sua volta ao mundo da capoeira.

Em 1988, os mestres Alcides de Lima Tserewaptu e Dorival dos Santos elaboraram o Estatuto Social do CEACA e o projeto denominado “Expresse-se com Consciência: Faça Capoeira”, com o objetivo de trabalhar a capoeira em seus aspectos culturais, desenvolvendo no indivíduo aptidões para as artes em geral, interagindo com múltiplos saberes: cultura, ancestralidade, teatro, música, danças, literatura oral e provocando o diálogo entre as culturas formal e oral em todos os espaços.

A formação institucional do CEACA conta com: presidente, vice-presidente, tesoureiro, secretário, diretor e associados. As oficinas de capoeira do CEACA são ministradas pelos seus membros já habilitados e/ou em formação, Mestres, Contra Mestres, Professores e Estagiários (que já possuem graduação de acordo com a função).

A capoeira e a cultura produzem transformação na vida de cada criança, jovem e adulto: o que fica visível no corpo, nos olhos, na maneira de se colocar individual e coletivamente. Alguns encontram na capoeira um caminho de vida e se tornam professores também. Desde a sua fundação, o CEACA já formou centenas de crianças, jovens e adultos.

A partir de abril de 2000, as atividades do CEACA passaram a se concentrar majoritariamente na EMEF Des. Amorim Lima, com o Projeto Culturas Populares na escola que envolvia crianças do 1° ao 8° anos extraclasse e recebia fomento do Crer pra Ver, Fundação Abrinq, Natura e Camargo Corrêa. A partir de 2005, o CEACA tomou grande impulso sendo selecionado pelo Edital Pontos do MinC com duração de três anos; em 2009, novamente fomos selecionados pelo mesmo Edital com duração até 2013, graças ao qual pudemos trazer a capoeira, as Culturas Populares e Tradicionais para o currículo escolar, com Mestre Durval do Coco, as cirandas, tores, coco de roda, aboio e repentes. Esses editais somaram no período R$ 360.000,00 em investimento para as oficinas, aquisição de kit multimídia, de materiais didáticos, instrumentos da capoeira etc.

Reconhecido no Brasil e no exterior, e tantas vezes premiado, o CEACA hoje infelizmente não dispõe mais de verbas, enquanto o trabalho com as crianças e adolescentes não pode ser descontinuado, precisa de sustentação segura e consistente para seguir em frente. Com o término dos programas do MinC em 2013, reduzimos a carga horária na escola a fim de poder dar continuidade aos trabalhos, que são hoje: os 1° anos da manhã e tarde com 2 professores em cada período, e mais 2 grupos extraclasse, com mais 2 mestres, professores e estagiários. Todos esses trabalhos estão sendo realizados voluntariamente pelos membros do CEACA!

Visite as páginas do CEACA – https://capoeiraceaca.wordpress.com/

10 de Abril de 2020

Alcides de Lima Tserewaptu (Presidente)

Edison Luís dos Santos (Colaborador)

Conheça mais, visitando as páginas do Ceaca – https://capoeiraceaca.wordpress.com

 

Capoeira – Ancestralidade viva. Festa de 10 anos de capoeira Matungo, Mestre Zelão.

Festa 10 anos Capoeira Matungo, Mestre Zelão, 2019.

Palestra ancestralidade. 2019.

A capoeira e a ancestralidade.

 

Vida que não morre

Da boca ao ouvido

Tem início, mas não tem fim…

 

“Capoeira resistência ancestral”

 

Todos os dias…

 

ANTÔNIO PARREIRAS
Zumbi, 1927.
Óleo sobre tela.
Com o trabalho nas mãos.
Todos os dias são de luta.
“Capoeira resistência ancestral”

 

 

 

Veredas da informação em culturas de tradição oral

Em nome do CEACA, agradecemos aos Amigos e Amigas que compareceram para assistir à Defesa da Tese de Doutorado intitulada “Veredas da informação em culturas de tradição oral: a esfera encantada das bibliotecas vivas”, autoria de Edison Luís dos Santos ocorrida no dia 06 de Agosto de 2018, às 14h00, na sala Aprendizado Eletrônico (101), 1º andar do Prédio Central da ECA/USP.

Manifestamos a mais alta estima e satisfação por contarmos com a dádiva de vossa presença!

Resumo: A tese apresenta o estudo de natureza exploratória do processo de produção partilhada de saberes e apropriação de dispositivo de informação desenvolvido com mestres e aprendizes da cultura de tradição oral. A obra resulta de um diálogo na fronteira entre o legado das culturas de tradição oral e as novas tecnologias da escrita, em que experimentamos uma relação com o saber, voluntária e coletiva, da ciência como artesanato. A materialização da produção partilhada de saberes se deu no fazer prático (savoir-faire) por meio do qual os sujeitos do saber aprenderam a conhecer e a fazer juntos.

Palavras-chave: Epistemologia da Ciência da Informação. Cultura – Tradição Oral. Informação e Memória. Dispositivo de Informação. Redes Sociotécnicas. Bibliotecas Vivas.

Referência bibliográfica: SANTOS, Edison Luís dos. Veredas da informação em culturas de tradição oral: a esfera encantada das bibliotecas vivas. 2018. Tese (Doutorado em Cultura e Informação) – Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2018. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27151/tde-02102018-163618/>.

Memória & Audiovisual: “Vadiação”, 1954

Vadiação é um curta-metragem produzido em 1954 pelo cineasta Alexandre Robatto Filho, considerado o pioneiro do cinema baiano. O vídeo, com cerca de 8 minutos, apresenta uma bela vadiação em Salvador, com alguns dos grandes capoeiras e mestres da Bahia da época: Mestres Bimba e Waldemar, Traíra, Caiçara, Curió, Crispim (filho de Bimba), Nagé, entre outros. O filme contou com a colaboração de Paulo Jatobá, Manoel Ribeiro, Silvio Robatto e do artista plástico argentino Carybé, que retratou em sua obra importantes manifestações tradicionais da Bahia, como a capoeira, o candomblé e o samba de roda. Valioso documento para a memória da capoeira e simplesmente um marco na história do cinema brasileiro envolvendo a capoeira.

Assista ao vídeo. Nele verá alguns capoeiristas renomados que tocam berimbaus e pandeiros e cantam, enquanto outros se revezam no jogo da capoeira, assistidos por várias pessoas.

 

Grandes mestres da capoeira baiana.

 

Como se ensina:

A tradição oral tem os seus métodos o acolhimento, a escuta, a transmissão, a troca, o sentir. Ela não morre, permanece no interior daquele que é tocado e ressoa num som ancestral nos ouvidos dos próximos…

 

 

Capoeira resistência ancestral

O saber espiralado e a história de Mestre Alcides de Lima Tserewaptu

Este registro audiovisual foi realizado por ocasião da Apresentação de Dissertação de Mestrado de Roberta Navas Battistella, intitulada “O saber espiralado: a história de Mestre Alcides de Lima Tserewaptu e a proposta por uma produção partilhada do conhecimento”, sob a orientação do Prof. Dr. Sérgio Bairon Blanco Sant’Anna, ocorrida em 05/12/2017. O objetivo central do trabalho concentra-se no encontro entre as temáticas da história de vida e da produção partilhada do conhecimento, no sentido de compreender o saber que detém Mestre Alcides de Lima Tserewaptu e suas implicações com a expansão da cultura afro-brasileira de tradição oral. Relata a história de vida de Alcides de Lima, desde a sua condição de migrante de Minas Gerais em sua chegada ao município de São Paulo; até suas atividades atuais como membro da Comissão Nacional dos Mestres Griôs, reúne um rico conjunto de atividades e lutas voltadas ao reconhecimento da cultura oral como um saber que precisa ser legitimado pelo Estado brasileiro.

Ao longo desta trajetória, há uma construção de redes de saberes que abrigam a preservação da memória, o envolvimento com comunidades culturais afrodescendentes (Coroação de Reis Congo, o Jongo etc.), o ensino de capoeira e dos saberes orais no contexto escolar. A tradição vivida e constituída por Mestre Alcides no cotidiano transpõe os níveis institucionais do universo da educação e do ensino.

BATTISTELLA, Roberta Navas. O saber espiralado: a história de Mestre Alcides de Lima Tserewaptu e a proposta por uma produção partilhada do conhecimento, Dissertação de Mestrado, sob a orientação do Prof. Dr. Sérgio Bairon Blanco Sant’Anna, ocorrida em 05/12/2017. Acesse o arquivo em pdf: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8161/tde-04072018-131014/publico/2018_RobertaNavasBattistella_VCorr.pdf

 

 

Fonte: http://www.snh2015.anpuh.org/resources/anais/39/1434414879_ARQUIVO_ARTIGO_Roberta_Navas_15_06_2015_FINAL.pdf

Coletivo feminino para tocar berimbau…tem que ter berimbau.

E as minas foram para cima… construir o seu próprio berimbau com as suas escolhas, com o seu axé e no seu tempo.

Tempo que a gente cria para desfrutar mais da vida, da música, do construir e das amizades. Agora, tempo gingado na cadência do berimbau.

Agradecendo especialmente ao Prof Tuca e Isla, da Casa de Zungu Capoeira Angola, pelo tempo de ensinar e compartilhar.

Berimbau mulher resistência ancestral.