Capoeira das crianças no Cepeusp

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Hoje, 15 de julho de 2017, mestre Gladson e contra mestre Vinícius abriram as portas do Cepeusp para as crianças da capoeira e desenvolveram atividades pedagógicas com referência na capoeira. Professores de capoeira puderam realizar vivências com as crianças, discutindo a importância da capoeira na formação pessoal do indivíduo.

O CEACA esteve presente e agradece a oportunidade ao mestre Gladson e contra mestre Vinícius.

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Mestre Alcides fala da relação entre Capoeira e Candomblé

Uma roda de conversa com Mestre Alcides de Lima é sempre um momento precioso para extrair partículas de sabedoria sobre a vida, o imaginário e os valores simbólicos que alimentam a cultura de tradição oral. O sagrado está em toda a parte!

Neste breve vídeo que disponibilizamos, Mestre Alcides de Lima fala das relações transversais entre a Capoeira e o Candomblé no Brasil, destacando como a música e os toques (pontos) migram de um lugar para outro, de modo que nem nos damos conta do quanto somos tributários da rica cultura afro-brasileira que herdamos de nossos ancestrais.

A música “Marinheiro Só” já foi interpretada por muita gente: Clementina de Jesus, Clara Nunes, Marisa Monte, Maria Bethânia, Caetano Veloso entre outros; além de “ponto de Candomblé”, é uma das canções mais populares entre os praticantes da Capoeira, presente também em festas infantis. Pertence ao patrimônio das culturas de tradição oral.

 

Marinheiro Só

Eu não sou daqui, Marinheiro só

Eu não tenho amor, Marinheiro só

Eu sou da Bahia, Marinheiro só

De São Salvador, Marinheiro só

Lá vem, lá vem, Marinheiro só

Como ele vem faceiro, Marinheiro só

Todo de branco, Marinheiro só

Com seu bonezinho, Marinheiro só

Ô, marinheiro, marinheiro, Marinheiro só

Ô, quem te ensinou a nadar, Marinheiro só

Ou foi o tombo do navio, Marinheiro só

Ou foi o balanço do mar, Marinheiro só

 

Rolou o Maculelê na Pça Elis Regina

Hoje, dia 09 de Julho de 2017, houve a apresentação do Maculelê na Praça Elis Regina, Butantã-SP. O Maculelê é uma manifestação cultural da Bahia, berço também da capoeira. É uma expressão teatral que conta, através da dança e dos cânticos, a lenda de um jovem guerreiro, que sozinho conseguiu defender sua tribo de outra tribo rival usando apenas dois pedaços de pau, tornando-se o herói da tribo. É um tipo de dança folclórica brasileira de origem afro-brasileira e indígena. A origem do Maculelê tem diversas lendas ao seu redor. Tais lendas, naturalmente, vieram da tradição oral característica às culturas afro-brasileira e indígena da época do Brasil Colônia e inevitavelmente sofreram alterações ao longo do tempo.

 

A apresentação do Maculelê na Praça Elis Regina foi organizada pelo Coletivo Rumpilê Maculelê, que participou ativamente do movimento de ocupação da Creche e Pré-Escola Oeste (USP), por meio de encontros abertos à comunidade, todas as quartas-feiras à tarde.

A ocupação em uma das creches da Universidade de São Paulo (USP), referência em educação infantil, começou no dia 16 de janeiro, quando pais de alunos ocuparam o prédio para impedir que a unidade fechasse. Desde então, eles passaram 24 horas por dia, em esquema de revezamento para impedir a retirada dos objetos da creche. A reabertura da Creche e Pré-Escola Oeste, além de uma grande vitória jurídica, representou a conquista da unidade entre estudantes, trabalhadores e docentes! No final do mês de Junho, os desembargadores, após ouvir nossos argumentos dos procuradores da USP, decidiram por unanimidade pela reabertura da Creche e Pré-Escola Oeste!

Saiba mais sobre a Creche Aberta.

Seguem algumas fotos registradas pelo Contra Mestre Emerson Marinheiro (Lagarto):

Puxada de rede: um ritual de beleza

A Puxada de Rede surgiu após o período da escravidão, quando os negros não acharam oportunidades de se encaixar no mercado de trabalho e procuram seu sustento no mar. E assim uma parte destes negros se deslocou para as entranhas dos mangues, na região de Santo Amaro – BA. Esta foi umas das primeiras cidades onde viram negros trabalhando. A puxada da rede do xaréu (um tipo de peixe) é uma das heranças mais interessantes dos tempos da escravidão, sobretudo pelo aspecto folclórico, que transformou um labor fatigante em uma das mais agradáveis atrações das praias baianas. Tendo em vista o desenvolvimento tecnológico da pesca e outros fatores relacionados com o meio ambiente, essa atividade artesanal encontra-se em decadência desde a década de 1970, sendo exercida, esporadicamente, somente por algumas das pequenas colônias de pescadores existentes ao longo da orla marítima da Bahia; e, além disso, sem o encanto e a magia dos tempos passados.

Nos meses decorrentes entre outubro e abril, esses peixes procuravam as águas quentes do litoral nordestino a fim de procriarem. Então era a época certa para lançarem a rede ao mar. Era uma atividade que exigia um esforço tremendo e um número muito grande de homens para a tarefa. Os pescadores iam para o mar de madrugada ou às vezes até à noite, para lançar a enorme rede, para só então de manhã puxarem. A puxada da rede era acompanhada de cânticos na maioria em ritmo triste que representavam a dificuldade da vida daqueles que tiram o seu sustento do mar.

Além dos cânticos, os atabaques e as batidas sincronizadas dos pés davam o ritmo para que os homens não desanimassem e continuassem a puxar a enorme rede, o que dava um ar de ritual e beleza àquela atividade. Quando enfim terminavam de puxar a rede, eram entoados cânticos em agradecimento à pescaria e o peixe era partilhado entre os pescadores e começava o festejo em comemoração.

Este vídeo foi produzido e compartilhado por Jorge, do grupo Fonte do Gravatá.

Efetivamente embora ainda seja praticada, em escala muito reduzida, perdeu o seu antigo ritual e efeito sem os cânticos e marcação de pés que tanto a caracterizava e a embelezava no passado. A pesca do xaréu se fazia principalmente nas águas das praias, mas hoje infelizmente está praticamente extinta.

O Centro de Estudos e Aplicação da Capoeira (CEACA) valoriza esta tradição popular e desenvolve pesquisas que visam ao reconhecimento e divulgação desta rica manifestação cultural.

Fonte: https://abadarodos.wordpress.com

Os cuidados que devemos considerar quando se propõe a retirada da capoeira da matriz africana.

Nas andanças que o Ponto de Cultura promove temos a feliz oportunidade de conhecer e conversar com diversas pessoas dos mais variados pontos de vista, o que engrandece o nosso conhecimento e nos faz pensar nos conflitos surgidos entre diferentes cabeças. Num destes encontros, no caso o da Teia em Fortaleza, CE, abril de 2010, surgiu uma polêmica entre os grupos de discussão: a de se formar um grupo de trabalho (GT) de capoeira, desvinculando a mesma do GT de Matriz Africana na qual atualmente está inserida, assim como outras manifestações, o jongo, os terreiros etc.

Pensamos que tal iniciativa deva ser extremamente cautelosa, pois se consideramos a capoeira em especial, abrimos precedentes para um GT a cada uma das manifestações existentes dentro do GT Matriz Africana o que desarticularia o grupo e os objetivos dos GTs, e pensando além, o que não impediria de no futuro termos outros GTs dentro destas manifestações tais como GT berimbau, GT toques e afins, o que a nosso ver, além da desarticulação, os próprios tendem a não se reconhecerem mais como uma entidade única.

Quando consideramos aparentemente tão diversas manifestações dentro da Matriz Africana reconhecemos que elas têm uma ancestralidade em comum, preceitos e objetivos parecidos, o que nos faz pensar em uma irmandade.

Então, se levarmos a capoeira a um grupo diferenciado, atrevemos a apontar uma tendência à esportivização, eminência provável aos jogos olímpicos, com a organização de associações, federações estaduais, confederação nacional e internacional, órgãos que existem; porém não há hegemônica aderência. Justamente em razão de muitos mestres não enfatizarem a capoeira como esporte, mas como cultura. Ora, se assim ocorresse, teríamos na capoeira uma visibilidade mundial diferente, com personagens escolhidos (atletas), marketing esportivos, patrocínios e teríamos no final não mais uma manifestação cultural, mas sim um produto.

Efetivamente, não é isso o que se propõem os mestres e participantes dos pontos de cultura e as discussões que ocorrem nos encontros; são anos de luta para considerarem não só a capoeira, mas as manifestações populares como representantes e significativas do povo brasileiro nas mais diversas instâncias.

Sendo ela Patrimônio Cultural Imaterial, devido as suas especificidades no modo de fazer e transmitir que a princípio podemos dizer de uma luta de defesa, afirmação de identidade de um povo, representando a “rebeldia” de um sistema opressor que não oferecia e tão pouco oferece favorecimentos sociais. Já que desde sempre é dada alguma importância às manifestações populares pelo sistema apenas quando estas se prestam a alguma utilidade para ele.

Vamos pensar por que a capoeira está inserida na matriz africana:

Basta pensar na origem da capoeira, mesmo sendo ela uma invenção nacional, ob­servemos e relacionemos os elementos que a compõem: o berimbau, a oralidade, as cantigas em louvações, típicas de povos africanos como os Mali desde o século IX, o respeito à palavra dita que não é esquecida, a hierarquia do mestre ao aprendiz são fundamentos recorrentes da capoeira. Retirá-la da matriz africana seria como extirpar um pedaço do DNA da capoeira, deixando assim de ser a capoeira, apagando a sua ancestralidade. Aqui, como na capoeira, não existe disputa de um contra o outro, mas um com o outro; no en­riquecer humano, o troféu não é metal precioso, mas desenvolvimento humano; levanta­mos aspectos que consideramos importantes para justificá-la na matriz africana.

Então no nosso entendimento não existe um meio de desvincular, esquecer todo um passado que é recontado e marcado no corpo do capoeirista como foi dito acima; para tal teríamos que reinventar outra luta com outras pessoas, com outros objetivos, novas músi­cas, novos toques, e outra forma de entender o mundo.

Quando fiz graduação do curso de Educação Física no início dos anos 1980, fui con­vidado a participar de um seminário organizado por alguns professores da mesma, e ha­via um módulo cujo tema era: “A importância dos movimentos da capoeira na formação física do desportista”; na época, já capoeirista, fui advertido pelo professor organizador do seminário que o mais importante que a capoeira tinha para esse seminário seria a parte de movimentos físicos, a plástica, a ginga, a dança, movimentos acrobáticos, e de forma al­guma, sua história e sua cultura, pensamento existente até hoje em alguns grupos ligados à educação física, ou por ingenuidade ou por proteção de mercado.

Como a capoeira não se define com uma, duas ou três palavras ou frases, ela está na dança, no jogo e na luta, pode ser inserida na literatura, na história, na geografia, da matemática às artes, tem um grande mercado de trabalho na área da educação, sendo argumento para profissionais da área da educação com formação superior, mas também não podemos esquecer-nos dos nossos mestres do saber popular que há muito vêm dedicando e transmitindo seus conhecimentos em todos os campos do saber; temos aí esse reconhecimento pelo MinC através da Ação Griô da Tradição Oral, um edital muito concorrido e agora com o Projeto de Lei e já lançado em audiência pública em várias cidades do Brasil que buscará dar maior reconhecimento aos mestres.

Capoeira brasileira, dança-luta que foi criada e desenvolvida pelos negros escravizados, ligada diretamente à vida socioeconômica, histórica e política do país. Expressão corporal de uma injustiça social cantada e contada no tambor e nas vozes dos mestres, musicalidade que se insere de forma peculiar na história do povo brasileiro, desde o início do século XVII até a atualidade, um mau hábito que cresceu e fecundou em favor da vida.

Seus movimentos dão flexibilidade tanto muscular como articular, tonificam os músculos, sua aprendizagem baseada na oralidade e observação torna a mente atenta aos detalhes, insistente em aprimorar o jogo e superar dificuldades, as conquistas são percebidas em cada roda de capoeira, concebendo um novo olhar às potencialidades.

Hoje, a capoeira pertence a outro contexto, inserida nas artes em geral como a dança, o cinema, a música, as artes plásticas e também em todos os níveis escolares, desde objeto de estudo a conteúdo curricular, fora do país é um identificador cultural do Brasil.

Não restringir a prática a somente uma luta corporal, mas considerar que a sua existên­cia está vinculada a quase toda história do povo brasileiro é respeitar os homens, mulheres e crianças que fazem esta história, a cultura do Brasil.

 

Ms. Alcides e Kati

Alcides de Lima e Katiane Mattge

Fonte: CEACA – CENTRO DE ESTUDOS E APLICAÇÃO DA CAPOEIRA. Capoeira & Educação: coletânea de estudos e práticas. / Mestre Alcides de Lima (Org.). São Paulo: CEACA, 2013, p. 37 e 38. ISBN: 978-85-66647-00-6. Baixe Livro Completo:

https://drive.google.com/file/d/0B8JVCyw9taFscE1mVWphbFJaNlE/edit?usp=sharing

A tradição da Pesca do Xaréu da Bahia

A pesca do Xaréu é um momento de trabalho, de canseiras, mas também de beleza, de poesia, de música e de cantos. Num período de 05 meses (de Maio a Setembro) os pescadores ficam trabalhando na construção das redes de pesca que chegam a medir mais de 50 metros de cumprimento. A pescaria do Xaréu é especial porque acontece no período (Outubro a Abril) em que os peixes vão em direção ao norte, formando grandes cardumes para a desova, e é exatamente nesse período que os pescadores lançam-se à sua tarefa cumprindo os mesmos trabalhos dos seus antepassados, desde os tempos da colônia até os dias atuais. Esta tradição não morre, mesmo porque dela depende o comércio e a alimentação de centenas de famílias. Todos os anos se repete o mesmo ritual que foi herdado dos tempos passados.

“Iniciava no período de outubro a abril, os xaréus vão para o Norte em grandes cardumes para a desova, procurando climas mais quentes para cumprimento de sua missão procriadora e é nesta época que os pescadores das praias dos subúrbios de Salvador lançam-se à sua tarefa. Na praia do Chega Nego, em Carimbamba e no Saraiva cumprem os mesmos trabalhos dos seus antepassados, trabalhos que vêm dos tempos Colônias, do Império, da Republica até nossos dias. Frederico Edelweiss nos lembra que o nome Chega Nego vem dos gritos dos senhores, chamando os negros escravos para puxarem as redes do xaréu. E esta tradição não morre, mesmo porque dela depende a subsistência de centenas de famílias, todos os anos se repetem com os mesmos cerimoniais, com os mesmos rituais, podemos dizer com que se procedia nos tempos passados”. (Odorico Tavares. In: “Bahia imagem da Terra e do povo.”)

Esta fala transmite a beleza que foi a pesca do xaréu. Narrando com mestria todos os acontecimentos do ritual dos pescadores nas praias do Rio Vermelho à Amaralina. Como também outros brilhantes baianos escreveram e cantaram sobre a pesca do xaréu, na voz vibrante de Dorival Caimmy e as letras boêmia de Jorge Amado. Tudo ficou no folclore que se perdeu na memória dos baianos, em especial dos pescadores. Não sei se foi os xaréus que fugiram da nossa Costa Marítima, em extinção ou se foi os pescadores que não ensinaram aos seus antecedentes à pesca do xaréu da maneira africana.

Minha jangada vai sair pro mar
Vou trabalhar, meu bem querer
Se Deus quiser quando eu voltar do mar
Um peixe bom eu vou trazer
Meus companheiros também vão voltar
E a Deus do céu vamos agradecer

Adeus, amor
Por favor não se esqueça de mim
Vou rezar prá ter bom tempo
Meu nêgo
Prá não ter tempo ruim
Vou fazer sua caminha macia
Perfumada de alecrim (Canção da Partida, Dorival Caymmi)

Na realidade, ainda existe pescadores e não mais a festa tão cantada e badalada pelos antepassados. Perdeu a Bahia, perdeu o folclore, tão rico em expressões, para a grandeza da nossa cultura que cada vez mais diminui o espaço da tradição do povo, e que levou centenas de anos cultuando as suas alegrias. A festa do Xaréu era relegada como “festa de nego” sem interesse do governo. Não sabendo as autoridades da época que as “festas de negos” seriam no futuro um dos folclores mais promissores de tradições culturais e financeiros do Estado da Bahia. Um importante veículo de atração turística e que hoje timidamente está se desenvolvendo.

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CEACA participa da Festa Junina do Amorim Lima

A Festa Junina é a maior festa coletiva da escola Amorim Lima. Ela é uma grande celebração da cultura popular brasileira e aconteceu hoje, no dia de São João, 24 de Junho de 2017. Durante a festa vários alunos apresentaram números de danças, maracatus, cocos e quadrilhas, incluindo a tradicional roda de capoeira do CEACA, além da ciranda da comunidade, barracas de brincadeiras e comidas e bebidas variadas. Ao final da noite, todas as pessoas participaram do “Cortejo das Lanternas”.

As prendas da Festa Junina foram todas confeccionadas artesanalmente pela comunidade a partir de materiais recicláveis. Toda a comunidade compareceu e ajudou: estudantes, familiares, professoras, professores, funcionárias e funcionários, vizinhos, amigos, cantores populares etc. Foi organizada em conjunto pela comunidade e a equipe de gestão da escola.

Veja a seguir a apresentação do Maculelê pelos integrantes do CEACA: